Cama Nupcial
de Sergi Belbel
Sinopse
Um casal acredita que pode encontrar a salvação para os seus problemas com a compra de uma cama nova. Face à cama de dois metros por dois, tão grande quanto os seus problemas conjugais, são confrontados com a sua própria impotência. Uma sucessão de obstáculos impede o casal de inaugurar, desde logo, o esplêndido leito conjugal. Fatalidade do destino, talvez… Recorrem, então, a dois amigos (desconhecidos entre si) para partilharem o seu culto ao tálamo e estrearem a cama no seu lugar, o que rapidamente se transforma num acontecimento que roça o fetichismo e o absurdo.
A peça desenvolve-se como um quebra-cabeças, numa desordem apenas aparente, em que a composição de cenas alternadas permite contar a mesma história de duas perspectivas diferentes por meio de dois casais ineptos, inaptos, divergentes.
A acção é decomposta em 38 cenas, apresentadas numa ordem diferente da sequência dos acontecimentos, algumas repetindo-se, mas de forma a que mesma situação tenha um significado diferente de acordo com o contexto que já conhecemos. Construção sagaz de um enigma (o casal, ou será o tálamo?), assente numa situação vaudevilesca, em que o humor/ridículo acentua a tragédia.

Ficha Artística e Técnica
Texto Sergi Belbel
Tradução Mathilde Ferreira Neves
Encenação, cenografia e figurinos Figueira Cid
Com Apollo Neiva, Danilsa Gonçalves, Duarte Banza e Matilde Magalhães
Desenho de luz Duarte Banza
Selecção musical Apollo Neiva
Confecção de figurinos Maria Joana Pinto
Construção Carlos Abelha, Carlos Mestre e Vitor Figueira
(trabalhadores da Câmara Municipal de Évora)
Operação de luz, som e vídeo Figueira Cid
Imagem original do espectáculo Marcelino Bravo
Fotografia Joaquim Carrapato
Registo e edição de vídeo Paulo Santos
Design de comunicação Inês Palma
Secretariado e assistência de produção Vanda Rufo
Classificação: M/14
Duração: 80'
De quando em quando, torna-se necessário, sem abdicar do compromisso com a qualidade, a irreverência, e a surpresa, optar por escolhas estéticas – leia-se textos – que, de alguma maneira, se enquadrem nos nossos quotidianos.
'Cama Nupcial', centra-se num casal que se confronta com uma cama que acabou de adquirir, um leito de dois metros por dois, que simboliza tanto a intimidade quanto os desafios e as tensões na relação.
Quando os resultados das suas tentativas não são conclusivos, chamam dois amigos para partilhar essa obsessão pela cama, que rapidamente descamba para o fetichismo e o absurdo.
Tratado de forma 'quase' cinematográfica, com cenas entrecortadas, com avanços e recuos, dependendo da perspectiva de cada personagem, numa mesma ou em situações diferentes, o texto - e o espectáculo - é um exemplo do estilo do dramaturgo catalão Sergi Belbel, focado em diálogos intensos e na exploração dos aspetos psicológicos das personagens em contextos domésticos ou quotidianos.
Depois de 'Rimbaud no Dubai, ou a Vida é um Lugar Perigoso', de Armando Nascimento Rosa, é razoável que se apresente um espectáculo que se enquadre, pela positiva, neste tempo chuvoso e frio.
Figueira Cid




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